8º RESULTADO PRELIMINAR DE PESQUISA – PROJETO COLETIVO “MUNDOS DO TRABALHO”

Grande nome da literatura abolicionista, Maria Firmina dos Reis fez, em suas obras, um riquíssimo retrato das terríveis condições às quais foram submetidos inúmeros escravizados em solo brasileiro. Mulher negra, teve acesso, como excepcionalidade à sua época, a uma boa educação, tornando-se a primeira professora negra a ocupar a Cadeira de Instrução Primária de Guimarães. Em sua trajetória literária, destacou-se especialmente pelos livros Úrsula (1852) e A Escrava (1887), textos notáveis na inserção de escravizados como agentes e narradores de suas próprias histórias. 

Por esse modo, a ficção de Maria Firmina dos Reis torna-se um indicador da realidade escravocrata brasileira, assim como se constitui enquanto um extraordinário material de análise da formação dos discursos abolicionistas no país. Partindo, então, da literatura enquanto fonte histórica, e evidenciando as obras da escritora enquanto meio de compreensão da escravidão e do abolicionismo, produzimos este plano de aula, o oitavo resultado preliminar da pesquisa coletiva “Mundos do Trabalho”, desenvolvida pelo Grupo PET História UFPR. Por ele, se almeja incentivar reflexões sobre as lutas abolicionistas e as condições dos escravizados, contribuindo para a formação de uma criticidade em relação à desigualdade racial que se vê presente no Brasil. 

Para acessar o plano de aula: https://drive.google.com/file/d/1pupZV9spk1RFOOphmKEZrcwf7eQ8Q2KF/view?usp=sharing 

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/document/d/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ7T_nCwCGV3QgUlC__bPIPAE/edit?fbclid=IwAR2GjchALHSPiv2RCb0QxMM7Mu1lJ_yTgTKWAROccgEaHmq6fcY3cN4gGUU

Lançamento do livro “Movimentos, memórias e refúgios” – UFPR e ACNUR

Ao longo dos últimos anos, o grupo PET História UFPR ministrou aulas para migrantes e refugiados, abordando a História geral do Brasil com o intuito de aproximá-los culturalmente e fornecer-lhes maiores bases de compreensão dos processos sociopolíticos que atravessam nossa sociedade, de modo a contribuir, assim, com sua inserção no novo país ao qual chegavam. Tratava-se de uma parceria estabelecida em 2017 com o programa PBMIH, ou “Português Brasileiro para Migração Humanitária”, promovido por professores e discentes de Letras da Universidade Federal do Paraná. Este, por sua vez, integra, junto a outras três iniciativas (Refúgio, Migrações, e Hospitalidade, do curso de Direito; Desenvolvimento de Cursos de Capacitação em Informática para Imigrantes, do curso de Informática; e Migração e Processos de Subjetivação: Psicanálise e Política na Rede de Atendimento aos Migrantes, do Departamento de Psicologia), o Programa Política Migratória e Universidade Brasileira (PMUB). Ativo desde 2013, é responsável por levar a cabo projetos de acolhimento da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, fruto de aliança entre a UFPR e o ACNUR, Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. 

Com o apoio do órgão internacional, em 2020, foi elaborado o livro “Movimentos, Memórias e Refúgios: Ensaios sobre as Boas Práticas da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (ACNUR) na Universidade Federal do Paraná”, sob a organização dos docentes do setor de Ciências Jurídicas da instituição José Antonio Peres Gediel e Tatyana Scheila Friedrich, coordenadores do PMUB. Nele, professores, discentes e voluntários que se envolveram nas diversas atividades de ramificação do programa detalham os objetivos, metodologias e resultados de seus trabalhos, muitos dos quais foram iniciados já no ano de 2010, quando o Centro de Centro de Línguas e Interculturalidade (CELIN) da UFPR foi procurado por representantes de organizações sociais e da Prefeitura Municipal de Curitiba, que buscavam estruturar um projeto de ensino de Português como Língua Adicional aos migrantes haitianos que chegavam à cidade em decorrência do terremoto daquele ano e, conjuntamente, das políticas de aproximação e de concessão de 80 mil vistos humanitários firmada entre Brasil e Haiti. 

No capítulo “Curso de História do Brasil: descobrindo-se reciprocamente o país de destino e o país de origem”, três integrantes do grupo PET História UFPR explicam como se deu a formação do projeto de aulas de História para esse público e descrevem o processo de produção de material didático específico para atendê-lo, salientando, ainda, as dinâmicas de transformação que foram observadas no decorrer do tempo de vigência do curso – se primeiramente predominavam haitianos, posteriormente observou-se uma participação majoritária de estudantes originários de países do oeste africano e da Venezuela. Com a elaboração do texto, buscou-se reforçar a fundamentalidade do papel do curso de História, junto aos pilares institucionais de promoção de ensino, pesquisa e extensão, para a articulação de medidas com potencial de transformação social, que revelam a centralidade da Universidade pública enquanto agente a serviço da comunidade externa. 


O livro teve seu lançamento oficial na noite de ontem (16/03), por meio de uma live realizada no canal de Youtube “Direito UFPR”, disponível para ser assistida de maneira assíncrona neste link.

A versão digital do livro está publicada de forma gratuita em PDF no site do ACNUR. Para acessá-la, visite o endereço a seguir: <https://www.acnur.org/portugues/wp-content/uploads/2021/01/UFPR_Movimentos-Migrat%C3%B3rios-e-Ref%C3%BAgio_Boas-Pr%C3%A1ticas-da-CSVM-da-UFPR.pdf>.

7º RESULTADO PRELIMINAR DE PESQUISA – PROJETO COLETIVO “MUNDOS DO TRABALHO”

Entre a militância comunista e o ativismo cultural, duas facetas da mesma busca por um ideal, Patrícia Rehder Galvão, ou simplesmente “Pagu”, como ficou conhecida, apresenta uma trajetória consideravelmente intensa. Nascida em uma família tradicional no interior do estado de São Paulo em 1910, ainda com dezesseis anos mudou-se para o bairro operário do Brás, cenário que viria influenciar sua atuação nos próximos anos de vida. No contexto agitado das primeiras décadas do século XX, Patrícia Galvão adentra o movimento modernista, antropofagista e alinha-se ao comunismo. E, a partir dessas influências escreve o romance proletário Parque Industrial, objetivando dialogar com as vivências das mulheres operárias na incipiente industrialização de São Paulo.
Edificado em prosa e com capítulos curtos, em estilo “panfletário”, o romance é lançado no período em que a autora filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), instituição com a qual mantinha uma relação tensa devido aos posicionamentos singulares frente ao cenário de lutas de classe, que no contexto, tratava com descaso questões de gênero e raça. Dentro da convergência entre História e Literatura, o sétimo resultado da pesquisa “Mundos do Trabalho” do PET História UFPR, utiliza o romance Parque Industrial de Patrícia Galvão, para tratar questões como: a exploração do trabalho e da sexualidade de mulheres proletárias na primeiras décadas do século XX, a constituição de uma classe militante e o tratamento de questões raciais na gênese do Partido Comunista Brasileiro, com o intuito de revelar o testemunho de uma escritora que nunca foi reconhecida enquanto cânone e cuja escrita permitiu o florescer de diálogos contextuais e vanguardistas.

Para acessar o artigo: https://drive.google.com/file/d/1vPZkBPYiCKbSZINTLr46Mu7vdWyIq7Uh/view

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/document/d/1BXga74–7ehLs3Pm8XCbuAe-FBe8CY8KHsFGkptqcFY/edit

Livro 1917: Mídia, Greve, Guerra, Revolução

É com imenso prazer que divulgamos a publicação do livro digital “1917: Mídia, Greve, Guerra, Revolução”, resultado dos planos de aula e materiais didáticos produzidos ao longo do nosso projeto coletivo de 2017. Este livro didático é voltado para o 9º ano do Ensino Fundamental e para o 3º ano do Ensino Médio, sendo dirigido aos/às professores/as do ensino básico, estudantes de graduação ou profissionais de outras áreas interessados nos fenômenos históricos ocorridos no ano de 1917. O livro abarca diversos conteúdos, desde os conflitos mundiais e a presença latino-americana neles à Greve Geral de 1917 no Brasil. Possibilita também o acesso a diversas fontes inéditas digitalizadas e disponibilizadas gratuitamente pelo grupo PET História UFPR.
O livro começou a ser editado em 2019, em um processo que se estendeu ao longo de 2020 e que envolveu a tentativa de elaboração de um material distinto, em formato, dos outros dois livros publicados pelo grupo (1968: Imagens, Contracultura, Guerra, Revolução e 1939: Nazifascismo, stalinismo, guerra e revolução), com o intuito de apresentar os conteúdos e planos de aula de forma visualmente mais interativa.
Com a obra, pretendemos proporcionar aos professores da rede básica de ensino materiais que abordam didaticamente os assuntos e fontes estudadas através de metodologias historiográficas e da área da educação histórica, instrumentalizando, assim, os docentes frente a tais fenômenos históricos. Além disso, o livro se insere como mais uma das atividades que visa à aliança dos princípios da tríade universitária – a pesquisa, o ensino e a extensão -, objetivo também do Programa de Educação Tutorial.

Link para visualização no Issuu: https://issuu.com/pethistoria.ufpr/docs/livro_1917__m_dia__greve__guerra__revolu__o_-_plan

Link para visualização no DocDroid: https://docdro.id/8USiLjL

Link para visualização no Google Drive: https://drive.google.com/file/d/1fxkI3qyJpOLqTMsqQ1BVEI2Qx_Zyws0h/view?usp=sharing

6º Resultado Preliminar de Pesquisa – Projeto Coletivo “Mundos do Trabalho”

César Vallejo, prosador, poeta, jornalista e intelectual ativo, foi um membro atuante da comunidade de pensadores dedicados à causa da estética política. Nascido em 1892 no Peru e falecido em 1938, apesar de sua vida precoce, teve um longo percurso intelectual, trafegando por ambientes como a França, Espanha e União Soviética, além de sua terra natal, estabelecendo diversos contatos. Conforme formou-se como pensador engajado na sociedade, teve em seus trabalhos a vontade de apresentar, por meios do movimento indigenista, em voga no Peru a partir da década de 1920, e do realismo social, a sensibilidade de trabalhadores explorados. 

Estar no ramo da produção estética durante as primeiras décadas do século XX significava estar, irremediavelmente, inserido na discussão entre as relações desta mesma com a política e a manifestação ideológica por meio da arte. A modernidade industrial, a urbanização, a construção do socialismo – principalmente após a Revolução Russa – pelo mundo… todos esses fatores e outros mais contribuíram para realizar esse amplo debate. 

O livro aqui em análise, El Tungsteno, busca justamente construir, sobre uma linguagem que pretende dizer a realidade em seus termos, os processos de exploração do trabalho indígena no contexto peruano do início do século XX, em que oligarquias e elites econômicas locais, em participação com empresas estrangeiras, são agentes do processo de trabalhos de endividamento e submetem a população indígena à violência de Estado constantes. Portanto, o presente resultado de pesquisa do PET História UFPR visa analisar, em forma de artigo, a forma como o trabalho cativo de nativos foi representado na ficção de César Vallejo, assim como a possibilidade de libertação dessa população.

Para acessar o artigo: https://drive.google.com/…/1UKuY3vY76f4o4EFYA9e…/view…

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/…/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ…/edit..

5º Resultado Preliminar de Pesquisa – Projeto Coletivo “Mundos do Trabalho”

João Cabral de Melo Neto foi um poeta da terceira geração do modernismo, apelidado de “engenheiro” pelo rigor estético, mas que era diplomata por profissão. Caso estivesse vivo, João Cabral comemoraria, neste ano de 2020, cem anos de idade. Nas celebrações do centenário do poeta pernambucano, é inevitável pensar naquela que é considerada, pelo público e pela crítica, como a sua obra de maior relevância: “Morte e Vida Severina'”. Com o subtítulo “Auto de Natal Pernambucano” e com a intenção inicial de ser uma peça sobre a natividade de Jesus, “Morte e Vida Severina” narra a jornada de um retirante de nome Severino, que é forçado a abandonar suas raízes em razão das agruras da fome, da miséria e da violência no interior, partindo em busca de uma vida melhor no litoral. Porém, em seu caminho, “Severino” encontra muitos outros “Severinos”, tipos que também sofrem com a fome, com o abuso e com a violência (vivência compartilhada por muitos lavradores e camponeses, que fizeram o mesmo percurso do interior para os centros urbanos), o que pode ser sintetizado em uma expressão utilizada pelo autor: “a mesma Vida Severina”. A escrita e a publicação do famoso Auto de Natal Cabralino se dá ao final da primeira metade da década de 50, período em que um movimento surgido a partir de uma associação de plantadores de um engenho no estado de Pernambuco (terra natal de João Cabral de Melo Neto) ocupava os jornais, trazendo à luz discussões a respeito da questão agrária, do abuso cometido pelos senhores de terra com relação à mão de obra camponesa e da violência no campo, mesmas temáticas que marcam “Morte e Vida Severina”. Essa associação de lavradores, que inspiraria várias iniciativas similares por todo país, gerando um movimento organizado de camponeses, foi chamada de “Ligas Camponesas”.

O presente plano de aula, “As Ligas Camponesas e a Vida Severina” é o 5º resultado preliminar da nossa pesquisa coletiva e busca, por meio de uma perspectiva interdisciplinar entre História e Literatura Brasileira, analisar diversos aspectos do período em que foi concebido o poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Desta forma também visa a estimular uma reflexão a respeito da influência do contexto e da vida de um artista em sua produção, a representação do trabalhador rural no poema, bem como o papel desempenhado pelo campesinato durante a eclosão das organizações denominadas “Ligas Camponesas”, entre as décadas de 1950 e 1960, que atuaram em defesa de causas como a reforma agrária e os direitos trabalhistas e em reação a problemas retratados por Melo Neto em seu Auto de Natal.

Para acessar o plano de aula: https://drive.google.com/…/1UKuY3vY76f4o4EFYA9e…/view…

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/…/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ…/edit..

Conferência: Tempo e Política no Brasil

Em parceria com o Programa de Pós-Graduação em História da UFPR e o Programa de Mestrado Profissional (PROFHistória), o PET História UFPR realizará uma conferência virtual com o professor Paulo Arantes, com o tema “Tempo e Política no Brasil”. Paulo Arantes é filósofo, professor aposentado do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) – onde lecionou entre 1968 e 1998 e atuou como Coordenador do Programa de Pós-Graduação (1984-1988) e editor da revista Discurso (1976-1991). Publicou, entre outros, “Hegel: a ordem do tempo” (1981), “Ressentimento da dialética” (1996) e “Zero à esquerda” (2004). Atualmente coordena a coleção Estado de Sítio, da Editora Boitempo.

O evento ocorrerá no dia 17/11, às 19h, e será transmitido por meio do nosso canal de Youtube, que pode ser acessado no seguinte link: https://www.youtube.com/channel/UCxUEx7dobCVQkYeSrFZgVZQ. Haverá emissão de certificados de comparecimento, concedidos mediante o preenchimento de um segundo formulário, de confirmação de presença, que será liberado durante a conferência. Para se inscrever na palestra, acesse o link a seguir: https://docs.google.com/…/1FAIpQLSdOjmkEDEEQ9v…/viewform.

Em caso de dúvidas, entre em contato por meio de nossas redes sociais: PET História UFPR – Facebook e @pethistoria.ufpr – Instagram.

Arte: Barbara Fonseca