5º Resultado Preliminar de Pesquisa – Projeto Coletivo “Mundos do Trabalho”

João Cabral de Melo Neto foi um poeta da terceira geração do modernismo, apelidado de “engenheiro” pelo rigor estético, mas que era diplomata por profissão. Caso estivesse vivo, João Cabral comemoraria, neste ano de 2020, cem anos de idade. Nas celebrações do centenário do poeta pernambucano, é inevitável pensar naquela que é considerada, pelo público e pela crítica, como a sua obra de maior relevância: “Morte e Vida Severina'”. Com o subtítulo “Auto de Natal Pernambucano” e com a intenção inicial de ser uma peça sobre a natividade de Jesus, “Morte e Vida Severina” narra a jornada de um retirante de nome Severino, que é forçado a abandonar suas raízes em razão das agruras da fome, da miséria e da violência no interior, partindo em busca de uma vida melhor no litoral. Porém, em seu caminho, “Severino” encontra muitos outros “Severinos”, tipos que também sofrem com a fome, com o abuso e com a violência (vivência compartilhada por muitos lavradores e camponeses, que fizeram o mesmo percurso do interior para os centros urbanos), o que pode ser sintetizado em uma expressão utilizada pelo autor: “a mesma Vida Severina”. A escrita e a publicação do famoso Auto de Natal Cabralino se dá ao final da primeira metade da década de 50, período em que um movimento surgido a partir de uma associação de plantadores de um engenho no estado de Pernambuco (terra natal de João Cabral de Melo Neto) ocupava os jornais, trazendo à luz discussões a respeito da questão agrária, do abuso cometido pelos senhores de terra com relação à mão de obra camponesa e da violência no campo, mesmas temáticas que marcam “Morte e Vida Severina”. Essa associação de lavradores, que inspiraria várias iniciativas similares por todo país, gerando um movimento organizado de camponeses, foi chamada de “Ligas Camponesas”.

O presente plano de aula, “As Ligas Camponesas e a Vida Severina” é o 5º resultado preliminar da nossa pesquisa coletiva e busca, por meio de uma perspectiva interdisciplinar entre História e Literatura Brasileira, analisar diversos aspectos do período em que foi concebido o poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Desta forma também visa a estimular uma reflexão a respeito da influência do contexto e da vida de um artista em sua produção, a representação do trabalhador rural no poema, bem como o papel desempenhado pelo campesinato durante a eclosão das organizações denominadas “Ligas Camponesas”, entre as décadas de 1950 e 1960, que atuaram em defesa de causas como a reforma agrária e os direitos trabalhistas e em reação a problemas retratados por Melo Neto em seu Auto de Natal.

Para acessar o plano de aula: https://drive.google.com/…/1UKuY3vY76f4o4EFYA9e…/view…

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/…/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ…/edit..

Conferência: Tempo e Política no Brasil

Em parceria com o Programa de Pós-Graduação em História da UFPR e o Programa de Mestrado Profissional (PROFHistória), o PET História UFPR realizará uma conferência virtual com o professor Paulo Arantes, com o tema “Tempo e Política no Brasil”. Paulo Arantes é filósofo, professor aposentado do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) – onde lecionou entre 1968 e 1998 e atuou como Coordenador do Programa de Pós-Graduação (1984-1988) e editor da revista Discurso (1976-1991). Publicou, entre outros, “Hegel: a ordem do tempo” (1981), “Ressentimento da dialética” (1996) e “Zero à esquerda” (2004). Atualmente coordena a coleção Estado de Sítio, da Editora Boitempo.

O evento ocorrerá no dia 17/11, às 19h, e será transmitido por meio do nosso canal de Youtube, que pode ser acessado no seguinte link: https://www.youtube.com/channel/UCxUEx7dobCVQkYeSrFZgVZQ. Haverá emissão de certificados de comparecimento, concedidos mediante o preenchimento de um segundo formulário, de confirmação de presença, que será liberado durante a conferência. Para se inscrever na palestra, acesse o link a seguir: https://docs.google.com/…/1FAIpQLSdOjmkEDEEQ9v…/viewform.

Em caso de dúvidas, entre em contato por meio de nossas redes sociais: PET História UFPR – Facebook e @pethistoria.ufpr – Instagram.

Arte: Barbara Fonseca

4º RESULTADO PRELIMINAR DE PESQUISA – PROJETO MUNDOS DO TRABALHO

Com o recente lançamento da nota de R$200,00 pelo Banco Central e sua consequência proibição de circulação, o tema da inflação voltou à discussão pública. Durante a década de 1980, a chamada “década perdida”, os índices de inflação dispararam no Brasil, como reflexo das políticas econômicas levadas a cabo pelo governo federal. Houve também um aumento da dívida pública e uma desasceleração do crescimento, que indicavam a grave crise econômica que marcou o período. Isso afetava diretamente os preços de alimentos, produtos e serviços, prejudicando os orçamentos domésticos das famílias no país. Foi só com o Plano Real, em 1994, que houve uma melhora significativa do cenário econômico, com uma redução brusca da inflação e a nova moeda. Entretanto, os benefícios não foram para todos: a desigualdade de renda persistiu e a redução da pobreza foi limitada.

O presente plano de aula, “‘Fazer crescer o bolo para depois dividir’: a inflação, o Plano Real e seus efeitos na
distribuição de renda no Brasil”, é o 4º resultado preliminar da nossa pesquisa coletiva, e pretende analisar os principais aspectos da economia brasileira nas décadas de 1980 e 1990, os efeitos da inflação para a população e o impacto do Plano Real nos índices de pobreza e desigualdade a partir de 1994, relacionando tais questões com o contexto político da época, marcado pelo neoliberalismo.

Para acessar o plano de aula: https://drive.google.com/file/d/1qh6M6S2o2enUXBbjSYuF86AC4-QJfZjw/view?usp=sharing

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/document/d/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ7T_nCwCGV3QgUlC__bPIPAE/edit?usp=sharing

Na imagem Delfim neto carrega abaixo um cruzeiro. Charge de 1980 de ZIRALDO

3º RESULTADO PRELIMINAR DE PESQUISA – PROJETO MUNDOS DO TRABALHO

Os anos de 1940 no Brasil foi um período bastante complexo e conturbado. Vivenciávamos uma ditadura comandada por Getúlio Vargas, a Segunda Guerra Mundial mobilizava a maior parte dos países do mundo, além de haver diversos movimentos de contestação das injustiças e opressões presentes na sociedade da época. O movimento dos trabalhadores, há décadas se dedicava à luta por melhores condições de vida e de trabalho. Em 1943 houve a polêmica promulgação da CLT, seguida de uma sistêmica perseguição de sindicatos e movimentos sociais. Todavia, para a história tradicional, a maior parte desses eventos teve como protagonistas figuras masculinas e brancas. A historiografia atual se debruça sobre análises interseccionais de raça, classe e gênero em uma tentativa de revelar as vozes que haviam sido silenciadas durantes tantas décadas. O PET História, para além de ter em sua pesquisa coletiva o mesmo enfoque, também o pensa para a educação básica.


Por isso, o presente Plano de Aula intitulado “As mulheres nas fábricas curitibanas: análises de relatos orais e fotografias sobre o trabalho de mulheres nas fábricas de Curitiba dos anos de 1940” pretende apresentar uma forma de tratar dos anos de 1940 sob o enfoque de gênero para os alunos e as alunas do 9º ano de Ensino Fundamental, através de relatos orais e fotografias de época.

Para conferir o plano de aula “As mulheres nas fábricas curitibanas: análises de relatos orais e fotografias sobre o trabalho de mulheres nas fábricas de Curitiba dos anos de 1940”, acesse: https://drive.google.com/file/d/1QFdbHjYFPxQPMPUBuMrACetGUSavJpqp/view

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/document/d/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ7T_nCwCGV3QgUlC__bPIPAE/edit?usp=sharing

2º RESULTADO PRELIMINAR DE PESQUISA – PROJETO MUNDOS DO TRABALHO

Não é de hoje que vemos o desmantelamento dos direitos trabalhistas outrora conquistados mediante a incansável luta do movimento operário em fins do século XIX e começo do XX. No entanto, esse desmonte encontra ressonância em uma grande parte da sociedade que, assumindo o discurso sobre um assistencialismo supostamente exagerado do Estado, repete a narrativa de que os direitos básicos configurarem privilégios. No início deste ano, ganhou visibilidade o movimento dos Entregadores Antifascistas, que pauta o trabalho terceirizado e a luta por direitos em tempos de precarização. A propagandeada ideia do empresariado de si mesmo, como se tem mostrado, não passa de um discurso sem fundamentação no dia-a-dia desses trabalhadores, que ganham irrisoriamente por jornadas longas, sem qualquer proteção ou direito social. Assim, uma vez que os entregadores se organizaram nacionalmente, ganharam mais visibilidade para as demandas da categoria, como também colocaram em evidência a necessidade de cooperativismo entre os demais trabalhadores.
De tal necessidade também partiram os operários que viviam no Brasil de fins do século XIX e começo do XX, os quais faziam suas reivindicações articuladas com a propaganda e com a educação para mudança social. Naquela época, no entanto, a situação de vulnerabilidade imposta aos trabalhadores era bem maior. Com jornadas de trabalho exaustivas, ambientes insalubres e arriscados, propícios a acidentes de trabalho e à proliferação de doenças, sem garantia de indenizações e acesso à assistência médica, ainda havia a negligência e postura higienista do Estado brasileiro com relação aos cortiços, moradias de muitos trabalhadores. Mesmo exaustivamente perseguidos, os militantes foram bem-sucedidos em algumas demandas e, sobretudo, na organização de movimentos a nível nacional. Mesmo assim, anos depois, conhecemos o presidente Getúlio Vargas por sua alcunha de “pai dos pobres”, concedendo, como de presente, direitos trabalhistas básicos e criando para tal uma estrutura estatal. Assim, se faz necessária uma revisão da narrativa transmitida em sala de aula, convergente com a propaganda varguista.
Nesse resultado, apresentamos um plano de aula para ser trabalhado nos anos finais do Ensino Fundamental, conforme diretrizes da BNCC. Analisamos o contexto dos trabalhadores e do movimento operário no período referenciado para refletir sobre a estrutura criada por Vargas e sua propaganda populista para então propor uma atividade de reflexão com fontes históricas, visando ao fomento da reflexão e de discussão dessa versão conhecida pelos estudantes.

Para conferir o plano de aula “Entre disputas, saúde e propaganda: uma análise das mobilizações operárias e da narrativa varguista sobre a concessão de direitos”, acesse https://drive.google.com/file/d/1oGfNdbR91NdFdI4LoTohd8ChM234s3s6/view?usp=sharing

Para acessar o projeto coletivo: https://docs.google.com/document/d/1uG1d0lSbzc1BxmReo2lZ7T_nCwCGV3QgUlC__bPIPAE/edit?usp=sharing

PROCESSO SELETIVO 2020

O Grupo PET História UFPR está muito feliz em anunciar o Processo Seletivo para novos integrantes de 2020. Clique no edital se você for dos GRRs 2020, 2019 e 2018 dos cursos de História da UFPR e tenha interesse em ser petiana(o). Qualquer dúvida nos contate e responderemos! Esperamos todos e todas!

Link: https://drive.google.com/file/d/1_fWIrYdqF8NRlLUUAAciO9dh6RaTVN7g/view

Convite para Reunião Aberta em 18/09

Na próxima sexta-feira (18/09), às 10:00 horas da manhã, realizaremos uma reunião aberta por meio da plataforma Google Meet. Nela, apresentaremos as atividades e projetos desenvolvidos pelo PET História UFPR, trazendo também informações acerca do Processo Seletivo para ingresso no grupo, que ocorrerá ao longo do próximo mês, em modalidade virtual. Poderão participar da seleção os/as discentes dos cursos de História – Bacharelado/Licenciatura e de História – Memória e Imagem que pertençam aos GRRs 2018, 2019 e 2020. Assim, convidamos todos e todas que se encaixam nessas categorias para participar do encontro virtual!

Esperamos construir uma maior aproximação entre todas as pessoas interessadas em integrar o grupo e as vivências proporcionadas pelo Programa de Educação Tutorial em História, bem como responder dúvidas levantadas pelos possíveis candidatos em relação ao que fazemos e aos mecanismos de ingresso via seleção remota. Por fim, lembramos que estamos à disposição, em todas as nossas mídias sociais (Facebook, Instagram e email), para responder questões sobre o funcionamento do grupo. Caso não possam participar da reunião em decorrência de dificuldades no acesso à internet ou outros problemas de ordem pessoal, não hesitem em nos contatar através desses outros meios! A partir da data da reunião, entrará em vigência o Edital de Seleção 2020 e ocorrerá a abertura de inscrições online. 

O link para a sala de reunião que utilizaremos no dia 18/09 está disponível abaixo. Contamos com a participação de vocês! 

Link: https://meet.google.com/own-bbmp-wxx.